domingo, 26 de maio de 2013

Cooperação e interdependência


"Na vida, as coisas funcionam por interdependências. Nada está isolado. Tudo é uno. É preciso ter consciência disso. Onde há sinergia de aspiração e trabalho em equipe, há progresso".
Em uma história passada de geração a geração na Índia, dois garotinhos – um cego e um perneta – estão brincando no meio da floresta, distantes e desconhecidos um do outro, quando um enorme incêndio irrompe na mata. Desesperados, os meninos começam a gritar por socorro e, por conta dos gritos, acabam se achando. Mas, em pranto, eles só pensavam no pior, afinal, o garoto que tem pernas para fugir não consegue ver o caminho, e o que tem olhos para enxergar a saída, além de ser aleijado, está às cegas em meio à fumaça.
Tudo parecia perdido quando, juntos, eles chegam à ideia de que seria a sua salvação: o garoto perneta sobe nos ombros do cego e, do alto, pode ver a clareira para a qual eles fogem em segurança, cada um sendo, respectivamente, as pernas e os olhos de seu companheiro.
Infere-se daí que a cooperação e a aceitação das diferenças constituem o alicerce das relações humanas. Fazer algo para o outro é bom não só para o outro, mas para quem assim procede. Nenhuma das crianças fez o que fez por mérito próprio, mas por uma cadeia de méritos interligados a ambas. Cada uma, pois, desempenhou o seu papel, individual e conjuntamente necessários.
Na vida, as coisas funcionam por interdependências. Nada está isolado. Tudo é uno. É preciso ter consciência disso. Onde há sinergia de aspiração, trabalho em equipe, possibilidade de compartilhamento e cooperação há progresso. Isso inclui a opção de aceitar a diversidade, de aprender a não fazer do diferente algo que amedronte, mas, ao contrário, tornar-se cada vez mais receptivo para, por meio do diferente, aprender ainda mais.
Por conseguinte, torna-se imprescindível incentivar as pessoas a desenvolver a sabedoria que se transforma em ação, que se transforma em amor e solidariedade. O encontro amoroso envolve muito carinho, aceitação e serenidade. “Quem não se envolve não se desenvolve”. Jesus elegeu como mandamento essencial: “Amar ao próximo como a si mesmo”.

Finalmente, é indispensável lembrar que tudo é transitório: “Que sentimento faz nascer a visão do Coliseu? (...) Suas vastas e belas proporções lembram todo um mundo de grandeza; mas sua decrepitude invariavelmente leva o pensamento para a fragilidade das coisas humanas”. Tudo passa e somente a solidariedade é capaz de tornar a vida profícua e durável.

Edilson Santana é professor de Filosofia e promotor de Justiça


sexta-feira, 10 de maio de 2013

Aracati, um país de estrangeiros...!



Nos idos do século XVI, no ano de 1500 aproximadamente, existia por aqui, os nativos, os verdadeiros brasileiros. Com a crise europeia na época e a busca incansável por riquezas, e, devido um cálculo geográfico errado dos portugueses, alguns europeus ancoraram no Brasil. Também pudera, usavam equipamentos de péssima qualidade, bússola chinesa, luneta paraguaia e ideia portuguesa (risos), só podia dar no que deu, pensaram que havia chegado à índia.
Aqui chegando, encontraram um povo ordeiro, trabalhador, admirador das belezas naturais, respeitador e obediente aos deuses. Esse povo preservava e contemplava os rios, os mares, a floresta e os animais, tudo isso somente para manter a sobrevivência das espécies...
A vinda dos europeus (não venham aqui alguém defender dizendo que foi útil ao progresso do Brasil, que não foi mesmo), pois, só trouxe exploração, miséria e extermínio de várias comunidades de nativos. A princípio, como os nativos eram povos mansos, foram logo escravizados, mesmo assim não deixaram de fazer seus rituais, adorando e respeitando sempre à natureza, com esses hábitos foram tachados de preguiçosos.
Os europeus resolveram explorar outros povos, com fins de manter seus interesses. Ao passar na costa africana, começaram a trazer os negros, principalmente os angolanos. Homens e mulheres, mansos, trabalhadores, ordeiros, respeitadores, obedientes aos deuses e mantenedores de “rituais sagrados”, que também foram explorados em todos os sentidos e escravizados.
E hoje, mudou alguma coisa daquela época? O que resta dessa mistura toda? Claro que mudou, não sejamos idiotas ao ponto de dizer que não mudou nada e, que continuamos sendo explorado por europeus, isso não é verdade. Pior do que isso, adquirimos seus hábitos e costumes, agora somos explorados por nossos irmãos, embora, com algumas descendências consanguíneas, mas, somos humilhados, roubados, explorados e escravizados pelos próprios irmãos brasileiros...
Quem ti viu brincando de pião, fura chão, arraia (pipa), manja, amarelinha, etc, e quem te vê hoje, explorando os irmãos teus...
Mulatos, mamelucos, caboclos, pardos, amarelos, negros e brancos... Brancos! De onde é essa raça, pois, nós somos brasileiros, chamados de índios por alguns idiotas exploradores e desconhecedores da verdade histórica que permeia ainda nas veias de um povo honesto e ordeiro chamado de brasileiros, nordestinos, cearenses e aracatienses.

segunda-feira, 8 de abril de 2013




RIVALIDADE ENTRE OS ESPÍRITAS: REFLEXÕES KARDEQUIANAS – I


Estava aqui refletindo sobre as muitas rivalidades que surpreendemos no Movimento Espírita e lembrei de voltar a Allan Kardec, em O LIVRO DOS MÉDIUNS, quando trata, com sua incomum lucidez, da “Rivalidade entre as Sociedades”. Dito nas palavras de hoje, “Rivalidade entre os Grupos Espíritas”. 

Na sua época, uma divisão singular se estabelecia: os grupos que cuidavam, de preferência, das manifestações inteligentes, e os que se detinham nas manifestações físicas. O curioso é que cada um pretendia estar com a verdade, como se a sua opção excluísse a outra e, mesmo, deslegitimasse o interesse dos outros grupos.
Dadas as discórdias e os ataques lançados por uns sobre os outros, Kardec pondera:

<Os grupos que se ocupam exclusivamente com as manifestações inteligentes e os que se entregam ao estudo das manifestações físicas têm cada um a sua missão. Nem uns, nem outros se achariam possuídos do verdadeiro espírito do Espiritismo, desde que não se olhassem com bons olhos; e aquele que atirasse pedras em outro provaria, por esse simples fato, a má influência que o domina.> (OLM, p. 519)*

Atualmente, vemos tais conflitos materializados em outros aspectos, tais como: reuniões mediúnicas abertas ou fechadas, ter ou não ter desobsessão, fazer ou não fazer reuniões de cura, promover ou não promover pintura mediúnica... Os pontos de divergências mudaram, haja vista que quase ninguém mais se ocupa com as manifestações físicas – materializações, mesas girantes e outros –, mas a nossa pequenez se conserva exatamente a mesma: queremos destruir o outro que, embora abrace a nossa mesma causa, pensa, sente e vive seus postulados de forma diferente.

E porque “nossos olhos não são bons”, tendemos a olhar o outro com as mazelas que impregnam o nosso olhar, desprezando-o por ser, simplesmente, diferente. E porque nossas mãos permanecem sendo “motivos de escândalo”, ao invés de as arrancarmos, lançando-as fora, permanecemos atirando pedras nesse mesmo outro, não compreendendo que ser humano é ser diferente, e que todos somos iguais nessa fatalidade. E porque não conseguimos – às vezes não queremos – agir de modo “diferente”, continuamos provando, “por esses simples fatos”, que somos verdadeiramente dominados por uma péssima influência: nossa visão tacanha e medíocre da proposta espírita e cristã.

Enquanto brigamos e acusamos, na tentativa de destruir o outro sob o manto da “defesa da verdade”, Kardec permanece nos advertindo, lembrando aquilo com que nos devemos verdadeiramente ocupar:

<Todos devem concorrer, ainda que por vias diferentes, para o objetivo comum, que é a pesquisa e a propaganda da verdade. Os antagonismos, que não são mais do que efeito de orgulho superexcitado, fornecendo armas aos detratores, só poderão prejudicar a causa, que uns e outros pretendem defender.> (OLM, p. 519-520)*

E aí temos um diagnóstico perfeito: no fundo e no raso, nossos antagonismos tão somente revelam a superexcitação do nosso orgulho, da tola pretensão de superioridade, da doce ilusão de sermos “donos da verdade”. Perdemos o “objetivo comum, que é a pesquisa e a propaganda da verdade”, para municiar os detratores com as nossas disputas de ego, na tentativa vã e tola de estabelecer, aqui ou ali, o templo do “verdadeiro Espiritismo”.

A quem estaremos servindo, a Deus o a Mamom?

* Trechos retirados da 49º edição de O livro dos médiuns, publicada pela FEB.

 

Pedro Camilo
                                                                
 Religiões: examinando alguns contrastes


Como cristãos acima de todas as considerações possíveis, devemos saudar com muito carinho a eleição do Papa Francisco. Afinal de contas, mais de um bilhão de almas atualmente encarnadas no planeta professa a importante religião católica com a qual nós, espíritas, temos pelo menos dois pontos em comum, a saber, o evangelho e o seu sublime autor, Jesus Cristo, como protótipo a ser seguido. Aliás, a maioria dos espíritas deu os seus primeiros passos no campo religioso bebendo, por assim dizer, nas fontes da citada instituição religiosa. Portanto, é de lá que muitos se lançaram e continuam se lançando à busca das verdades celestiais.

Dito isto, pelo menos esse modesto escriba espírita presta o seu reconhecimento público à sua iniciação religiosa obtida através dos ensinamentos da Igreja Católica. Claro é que, em dado momento, na minha curiosidade e ânsia de saber – creio que, nesse particular, talvez esteja revelando o mesmo que aconteceu com não poucos – fui levado a percorrer outros caminhos que satisfizessem as minhas dúvidas. Mas isso é outra história...

Nesse momento, o mais relevante é saudar o novo Papa que deu – segundo lemos na imprensa – demonstrações de humildade, desapego e simplicidade ao longo de sua vida pastoral. Como a revista Veja registrou recentemente, “A Igreja Católica tenta voltar à sua essência, com a eleição de um pastor de alma simples, para cuidar de um rebanho ameaçado pelo laicismo e, não menos relevante, dar fim ao clero pedófilo e corrupto. Nesse sentido, a noite de 13 de março de 2013 foi recheada de significados”.

Assim sendo, os desafios do Papa Francisco são hercúleos e, de nossa parte, desejamos-lhe que Deus o ilumine muito. É óbvio que ele agora comanda uma instituição milenar – fortemente apegada a certas teses e visões do mundo – que tem sido, por sinal, atropelada por uma miríade de fatos e costumes modernos. De fato, existem assuntos defendidos pela religião católica que se opõem frontalmente à realidade atual. Assim, de certo modo, fica implícita a mensagem – pelo menos em nossa opinião – que as religiões correm o sério risco de se tornarem instituições obsoletas e desatualizadas quando não assimilam as novas descobertas e as mudanças advindas do progresso.

Seja como for, o fato de abraçar e defender o evangelho de Jesus, especialmente nessa hora tão delicada para a trajetória humana nesse mundo, torna, sem dúvida, o papel da religião católica estratégico, apesar das diferenças de interpretação e entendimento que nos separam. A humanidade necessita da sabedoria contida no evangelho talvez mais do que nunca. Assim sendo, ao agir no sentido de despertar e encaminhar as almas renitentes na assimilação do seu conteúdo libertador, ela e outras agremiações cristãs – cabe afirmar – estarão cumprindo uma missão fundamental. Entender a realidade da vida espiritual e as leis universais – temas tão caros ao Espiritismo – depende da âncora do evangelho e de pessoas dispostas a viver os seus conteúdos de maneira coerente.

Por outro lado, se as mudanças ora em curso no seio da referida instituição religiosa devam ser vistas com otimismo e esperança pelas razões acima expostas, o mesmo não se pode afirmar com relação à religião mulçumana. Apesar de abarcar um considerável contingente de adeptos no mundo, isto é, cerca de 1,3 bilhão – os cristãos ultrapassam 2,1 bilhões quando se somam todas as suas vertentes –, o que se vê com insistência é a predominância do radicalismo e da violência. Com efeito, o mundo islâmico passa na atualidade por uma autêntica ebulição onde se mistura perigosamente assuntos da esfera religiosa com os da política.

Além disso, vale acrescentar que nascer na condição de mulher no Islã constitui uma das mais dolorosas provações às quais um Espírito pode ser submetido. Em resumo, não se detecta no momento nenhuma indicação ou sinal de mudanças positivas advindas dessa religião. Basta lembrar, por exemplo, um episódio recente envolvendo o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Ao comparecer ao velório do finado líder venezuelano, Hugo Chávez, com o qual mantinha estreita relação, foi, em certo momento, cumprimentar a mãe deste como reza o protocolo e, sobretudo, a educação. E num gesto indiscutivelmente amistoso, solidário e tocante, reteve as mãos da senhora enlutada aproximando o seu rosto junto ao dela. A rede de TV americana CNN abordou numa reportagem os protestos veementes dos aiatolás
(link: http://edition.cnn.com/2013/03/13/opinion/gmez-chavez-ahmadinejad-america/index.html?hpt=hp_c4 - ver foto, vídeo e artigo em inglês) que enxergaram no singelo gesto uma clara violação das leis islâmicas que proíbem o “abraço” – que não ocorreu efetivamente – entre pessoas de sexos opostos, exceção à esposa e aos parentes. 

Mahmoud Ahmadinejad é uma figura altamente controversa. Mundialmente odiado em razão das suas declarações infelizes e extemporâneas, bem como pelos seus arroubos contra os acordos internacionais, é, sem dúvida, um personagem polêmico e desajustado. Todavia, naquele momento, especificamente, era um ser humano prestando a sua solidariedade a uma mãe padecendo de doloroso e comovente sofrimento. Definitivamente, não havia malícia alguma no seu gesto. Muito pelo contrário. Mas os seus adversários religiosos, conforme explicou a reportagem da CNN, viram um desrespeito às tradições religiosas islâmicas. Certamente, o presidente iraniano enfrenta sérios problemas de governança em seu país com prováveis consequências no seu desejo de reeleição.

Acreditamos que quando tal norma foi instituída no seio do islamismo, ela deve ter obedecido – assim imaginamos – a um propósito de evitar mal-entendidos e reações violentas. Mas já estamos em pleno século XXI! Felizmente, nós espíritas nos acostumamos a nos abraçar e beijar fraternalmente. Tal gesto é espontâneo, autêntico e geralmente destituído de malícia. É uma maneira simples, mas efetiva de transmitirmos boas energias e carinho ao nosso interlocutor e de mostrar que ele é importante para nós. A propósito, relata-nos o Espírito Humberto de Campos, na obra Boa Nova (psicografada por Francisco Cândido Xavier), que Maria: 

“De alma angustiada, notou que Jesus atingira o último limite dos padecimentos inenarráveis. Alguns dos populares mais exaltados multiplicavam as pancadas, enquanto as lanças riscavam o ar, em ameaças audaciosas e sinistras. Ironias mordazes eram proferidas a esmo, dilacerando-lhe a alma sensível e afetuosa. 

“Em meio de algumas mulheres compadecidas, que lhe acompanhavam o angustioso transe, Maria reparou que alguém lhe pousara as mãos, de leve, sobre os ombros. Deparou-se-lhe a figura de João que, vencendo a pusilanimidade criminosa em que haviam mergulhado os demais companheiros, lhe estendia os braços amorosos e reconhecidos”.

Silenciosamente, o filho de Zebedeu abraçou-se àquele triturado coração maternal. Maria deixou-se enlaçar pelo discípulo querido e ambos, ao pé do madeiro, em gesto súplice, buscaram ansiosamente a luz daqueles olhos misericordiosos, no cúmulo dos tormentos. Foi aí que a fronte do divino supliciado se moveu vagarosamente, revelando perceber a ansiedade daquelas duas almas em extremo desalento. 

“– ‘Meu filho! Meu amado filho!...’ – exclamou a mártir, em aflição diante da serenidade daquele olhar de melancolia intraduzível. 

“O Cristo pareceu meditar no auge de suas dores, mas, como se quisesse demonstrar, no instante derradeiro, a grandeza de sua coragem e a sua perfeita comunhão com Deus, replicou com significativo movimento dos olhos vigilantes:“ – ‘Mãe, eis aí teu filho!...’ – E dirigindo-se, de modo especial, com um leve aceno, ao apóstolo, disse: – ‘Filho, eis aí tua mãe!’. 

“Maria envolveu-se no véu de seu pranto doloroso, mas o grande evangelista compreendeu que o Mestre, na sua derradeira lição, ensinava que o amor universal era o sublime coroamento de sua obra. Entendeu que, no futuro, a claridade do Reino de Deus revelaria aos homens a necessidade da cessação de todo egoísmo e que, no santuário de cada coração, deveria existir a mais abundante cota de amor, não só para o círculo familiar, senão também para todos os necessitados do mundo, e que no templo de cada habitação permaneceria a fraternidade real, para que a assistência recíproca se praticasse na Terra, sem serem precisos os edifícios exteriores, consagrados a uma solidariedade claudicante [...]”. 

Infelizmente, a humanidade ainda não chegou aos tempos divisados pelo notável evangelista, mas certamente esse dia chegará. Enquanto isso, o Espiritismo vem cumprindo a sua missão de consolar e ensinar as belezas do evangelho de Jesus como instrumento reformador dos ideais e pensamentos.

Anselmo Ferreira Vasconcelos

quarta-feira, 20 de março de 2013

O QUE EFETIVAMENTE NOS SALVA?





Apreensivo, chega o fervoroso crente, junto ao seu líder religioso, e pergunta:
Pastor, o que acontecerá agora com meu pai, que acaba de morrer: ele irá para o céu ou para o inferno? Você sabe, era um criminoso de mão cheia, tendo, em sua vida, cometido vários crimes. Gostaria de saber qual é o destino dele, pois, apesar de tudo o que fez, acreditava em Jesus, tinha uma fé inabalável e nem mesmo o dízimo se omitiu de pagar.
O Pastor pensou um pouco, procurando encontrar, em seus conhecimentos bíblicos, uma explicação plausível. Passados alguns minutos, respondeu: Meu caríssimo irmão, na Bíblia existe uma passagem que diz: Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie; porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras para que ninguém se glorie. (Ef 2, 8-9), portanto, pela palavra de Deus, ele irá para o céu, pois tinha fé e a fé é o que nos basta para salvar-nos.
Amém Pastor! Respondeu o consulente mais tranquilo e certo que seu pai estaria no céu.
Lembramo-nos, imediatamente, do que disse o profeta Isaías: Quando vossos juízos se exercem sobre a terra, os habitantes do mundo aprendem a justiça.
Porém, se se perdoar o ímpio, ele não aprenderá a justiça, na terra da retidão ele se entregará ao mal e não verá a majestade do Senhor. (Is 26, 9-10 – Bíblia Sagrada Ed. Ave Maria). O pensamento de que se deve repreender um criminoso, é tão claro que ficamos querendo saber por que algumas pessoas não o entendem.
Procuramos esta passagem em outra Bíblia, foi por aí que começamos a entender, o porquê das divergentes interpretações. Vejamo-la na versão da SBTB, cuja tradução é a normalmente adotada pelas correntes protestantes:
“Porque, havendo os teus juízos na terra, os moradores do mundo aprendem justiça. Ainda que se mostre favor ao ímpio, nem por isso aprende a justiça; até na terra da retidão ele pratica a iniquidade, e não atenta para a majestade do SENHOR”. Aqui ter o entendimento igual ao que encontramos na anterior é realmente mais difícil, pois o pensamento está subentendido. Mas, embora varie na forma, o pensamento no fundo é o mesmo.
Se Deus deixasse de “castigar” um criminoso estaria pervertendo o juízo, isso não poderá acontecer: Porque, segundo a obra do homem, ele lhe paga; e faz a cada um segundo o seu caminho. Também, na verdade, Deus não procede impiamente; nem o Todo-Poderoso perverte o juízo. (Jó 34, 11-12).
Ainda não conseguimos entender porque as pessoas divergem tanto em relação à nossa salvação. Para uns basta ter fé, para outros é necessário praticar as boas obras, o que deixa muitas pessoas em dúvida, sem saber qual é mesmo a base da nossa salvação.
Um dos autores bíblicos mais utilizado para sustentar a questão da fé, como maneira de se salvar, é Paulo. Sabemos que este apóstolo não foi discípulo de Jesus, inclusive, no início do cristianismo, perseguia os cristãos, até que um dia teve um encontro com o espírito de Jesus na estrada de Damasco. A partir deste episódio, passa a se dedicar de corpo e alma à doutrina daquele que o questionara: Saulo, Saulo porque me persegues? (Atos 9, 4).
Assume a missão de divulgar o Evangelho entre os pagãos, daí o chamarem de Apóstolo dos gentios. Faz diversas viagens para divulgar a Boa Nova. São dele as principais cartas contidas no Novo Testamento, nas quais iremos buscar o seu pensamento a respeito desse assunto.

Depois iremos ver o que outras pessoas pensavam principalmente Tiago, Pedro, João e, decisivamente, aquele a quem nenhum ensino poderá contradizer: JESUS.

Pensamento de Paulo

Devemos confessar que não é nada fácil entender Paulo, pois às vezes parece contraditório, já que em algumas oportunidades leva-nos a crer que a fé é que salva, ao passo que em outras dá-nos a ideia que são as obras, enfim, as coisas ficam realmente muito confusas. Até Pedro reclamava isso de Paulo, veja: É o que, aliás, ele ensina em todas as suas cartas. Nelas existem passagens de difícil compreensão; e existem pessoas ignorantes e inconstantes que lhes deformam o sentido, como, aliás, o fazem com outras partes das Escrituras, para a sua própria ruína”. Pedro está absolutamente correto em seu pensamento, inclusive, o poderemos aplicar tranquilamente aos dias de hoje, já que vemos pessoas “deformando o sentido das Escrituras.
(2 Pedro 3, 26).
De início é bom colocarmos, a seguinte explicação:
“O próprio Paulo não conheceu pessoalmente Jesus. O que ele fez foi à experiência do Cristo ressuscitado. Portanto, ao anunciar o Evangelho aos pagãos, foi preciso adaptá-lo à mentalidade dos ouvintes, respondendo às preocupações que eles tinham, conservado o que era essencial e deixando de lado o que não era importante”. [1] Isso é importante ter em mente, já que o apóstolo dos gentios usava linguagem adequada aos ouvintes, o que, em algumas situações, leva à aparente contradição no que fala.

Vejamos alguns trechos de Paulo, que colocaremos na ordem cronológica aceita pelos exegetas:
1 Tessalonicenses 1, 2-3: Sempre damos graças a Deus por vós todos, fazendo menção de vós em nossas orações, lembrando-nos sem cessar da obra da vossa fé, do trabalho do amor, e da paciência da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai, Nesta primeira passagem que analisamos, observamos Paulo dar graças a Deus porque todos praticavam “obra da fé”, “trabalho do amor”, já deixando-nos mais seguros quanto ao seu pensamento a respeito do que irá nos salvar.

1 Coríntios 13, 1-13: Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.

Fica claro que Paulo prega o amor acima de tudo. Explicam: À diferença do amor passional e egoísta, a caridade (ágape) é um amor de dileção, que quer o bem do próximo (Bíblia de Jerusalém). Ainda encontramos: Amor. A palavra grega é ágape. Ágape é mais que afeição mútua; expressa a valorização altruísta no objeto amado (Bíblia Anotada).
Nessa passagem está óbvio que o amor (caridade) é maior que a fé, embora não quer dizer que não necessitamos da fé, pelo contrário é por termos fé que praticamos a caridade.
2 Coríntios 5, 10: Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal.
O Apóstolo Paulo volta a falar novamente sobre o “a cada um segundo suas obras”, reafirmando o seu pensamento.
Gálatas 2, 16: Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.
Vejamos o que Paulo diz a respeito de não ser justificado pelas obras. Afinal, de que obras ele fala? Trata-se das obras da Lei, ou seja, Lei de Moisés. Ela, depois do advento de Jesus, não poderá servir como base de salvação para os que se dizem cristãos. Devemos, pelos nossos atos, ser justificados, ou seja, tornaremos justos, pela fé em Cristo. Mas voltamos a dizer, não fé estática, só pela fé operante. Também João percebeu isso: Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. (João 1, 17).
Esta passagem merece ser completada pelo estudo que L. Palhano Jr faz em seu livro “Aos Gálatas – A Carta da Redenção”. Diz Palhano:
“Para compreendermos melhor o texto acima, é preciso meditar e entrar no verdadeiro significado das expressões: ‘justificado’, ‘obras da lei’, ‘fé’ e ‘carne’.
É o que pretendemos fazer a seguir. O verbo empregado na epístola para justificado é dikaicó, característico de Paulo e tão empregado por ele, que é preciso entendê-lo de modo correto.
Na margem da Revised Standard Version of Bible, o termo é traduzido como “tido por justo”, isto é, considerado justo ou aprovado aos olhos de Deus; e o ponto a ser decidido era a maneira pela qual o indivíduo alcançaria uma posição aceitável diante de Deus (Guthrie, D. Gálatas, introdução e comentários, São Paulo, Vida Nova, 1984, p. 107)”.
“Vamos agora à expressão ‘obras da lei’. Talvez devêssemos fazer aqui um parêntese para um estudo pormenorizado sobre essa expressão, mas não o faremos; acrescentá-lo-emos mais tarde ou em um apêndice. Por ora, vamos apenas destacar, sem mais delongas, o seu significado correto. A expressão grega ex ergon nomou tem sido traduzida para o português como “pelas obras da lei”, contudo pela proposta de Tenney (Tenney, M. C. Galatian: the charter of christiam liberty. Michigan, Eerdmans Publishing, 1950, p. 194), uma tradução mais exata seria “por obra legais”, isso porque a palavra ‘lei’ foi usada sem o artigo definido, principalmente em certas frases escolhidas que transmitem significações especializadas.
A ausência do artigo usualmente significa que a qualidade do conceito escolhido é salientado, em lugar da sua identidade, embora em Gálatas e em outras epístolas, Paulo se refira à “lei mosaica” como a principal concretização do conceito. Em Roberton (Robertons, A. T. A grammar of the greek new Testament in the light of historical research, 3ª edição. New York, George H. Doran Co. 1919, p. 796) podemos ler claramente que, “em geral, quando nomos é indefinido em Paulo, refere-se à lei mosaica”, por consequente, ‘lei’, nessas instâncias, é um termo que se refere ao sistema de pensamento ou ao código de ação envolvido, em lugar de qualquer documento particular. É evidente então que Paulo estava se referindo não a que o indivíduo ‘não seria justificado por suas obras, mas sim, não seria justificado pelas obras da legalidade religiosa’, isto é, pelo cumprimento das formalidades preconizadas por códigos religiosos como ‘rituais’, ‘festas’, ‘cerimoniais’, ‘dogmas’, ou quaisquer exigências tais como ‘dízimos’, guardar os ‘sábados’, coisas deste tipo, mais que seria justificado ‘pela fé em Jesus Cristo’”.
“Para um conceito mais científico de fé, podemos dizer que ela é a capacidade de sintonizar-se com Deus (Jesus Cristo, no caso, o representa) e, para isso, é preciso reconhecer a sua paternidade divina, amando-o sobre todas as coisas (Mt 22, 37) e realizar a sua vontade, amando o próximo como a si mesmo (Mt 22, 39). Como ensinou Jesus, aí estão toda a lei e os profetas. É óbvio que essa fé tem que vir acompanhada de obras que a testifiquem; ter fé só por ter de nada adianta. Dizer que crê em Cristo não salva ninguém, mesmo batendo no peito, porquanto”:
“... a quem pensar que a fé por si só é suficiente, sou levado a dizer: Acreditais na existência de Deus? No inferno, os demônios também acreditam e, no entanto, estremecem. Porventura ainda não vê, ó homem sem percepção, que a fé sem obras é inútil e morta? (Tg 2, 19 e 20)”.
(...). “Quanto à expressão ‘carne’ (grego sarx), ela quer dizer “ninguém, nenhuma pessoa viva”, será justificado “pelas obras da lei”. Trata-se de uma sinédoque, uma figura de linguagem comum da vida diária, como ‘cérebros’ em lugar de eruditos, ‘cabeças’ em lugar de gado e ‘vapor’ em lugar de navio. Temos assim as chaves da interpretação do versículo 2, 16. Ele é muito importante para o entendimento da proposta de Paulo, não entendida ou distorcida pelos ditos ‘doutos das igrejas’. Vamos concluir o estudo desse versículo, traduzindo-o para uma linguagem mais atual, que nos mostra como ele deve ser entendido”:
“Sabemos que o homem não é considerado justo nem aprovado por Deus pelo seu desempenho nas formalidades prescritas na lei, mas pela fé operante em Jesus Cristo. Nós próprios somos reconhecidos justos pela nossa fé e não pela obediência ao estipulado como lei, por reconhecermos que ninguém pode salvar-se apenas por praticar liturgias (obras da lei)”. (grifos do original).
Gálatas 5, 4-6: Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído, Porque nós pelo Espírito da fé aguardamos a esperança da justiça. Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem valor algum; mas sim a fé que opera pelo amor.
A expressão “a fé que opera pelo amor”, dá-nos a verdadeira ideia de Paulo a respeito do amor.
Conforme dissemos anteriormente, é o amor que faz a fé ser operante, não é, portanto, uma fé no sentido de somente se crer.
Gálatas 5, 14: Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.
Não foi isso exatamente que Jesus disse, acrescentado que toda a Lei e os profetas se achavam contidos nesse mandamento.
Gálatas 6, 2: Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo.
Levar a carga uns dos outros não é a ação na caridade por amor ao próximo?
Não é assim, que conforme Paulo, estaremos cumprindo a lei do Cristo? Não são, portanto, das obras que fala? Com isso, fica difícil querer argumentar que é a fé que salva, não é mesmo?
Gálatas 6, 7-9: Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna. E não nos cansemos de fazer bem, porque há seu tempo ceifaremos se não houvermos desfalecido.

É o que chamamos de Lei de Ação e Reação, vulgarmente denominada Carma. Não há como se iludir, tudo o que fizermos voltará contra nós ou a nosso favor. Se semearmos ódio, colheremos exatamente o ódio, se ao contrário, plantarmos amor; ceifaremos amor. Por isso, Paulo adverte para não nos cansarmos de fazer o bem, pois na colheita é isso que iremos colher. Romanos 2, 5-8: Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus; o qual recompensará cada um segundo as suas obras; a saber: a vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção; mas a indignação e a ira aos que são contenciosos desobedientes à verdade e obedientes à iniquidade;
Nessa passagem não existe dúvida alguma no que diz Paulo sobre o juízo de Deus, que: “recompensará cada um segundo as suas obras”. Aqui não contradiz o que Jesus colocou, conforme iremos verificar posteriormente.
Romanos 2, 9-11: Tribulação e angústia sobre toda a alma do homem que faz o mal; primeiramente do judeu e também do grego; glória, porém, e honra e paz a qualquer que pratica o bem; primeiramente ao judeu e também ao grego; porque, para com Deus, não há acepção de pessoas.
A recompensa é tribulação e angústia para quem faz o mal; glória honra e paz para quem pratica o bem. Ora, isso só pode ocorrer pela ação do homem, ou seja, por suas próprias obras, o que podemos confirmar pela passagem imediatamente anterior. E para os que dizem serem os únicos salvos, ou os que se julgam a “religião eleita”, podemos acrescentar: “Deus não faz acepção de pessoas”. Assim, perguntamos de onde tiraram essa ideia absurda de que Deus estabelece qualquer tipo de privilégio?
Romanos 2, 13: Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados.
Novamente estamos diante de um pensamento que não deixa margem a qualquer tipo de dúvida. Os que praticam a lei é que hão de serem justificados, não os que somente a ouvem. A prática é mais importante que a fé. Como se pratica a lei? Fazendo o bem ao próximo.
Romanos 3, 21-28: Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas; isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem; porque não há diferença.
Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus. Onde está logo a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé. Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei.
Paulo combatia veementemente os judeus judaizantes, que queriam de qualquer forma fazer com que os novos convertidos ao Evangelho, que ele chama de fé em Jesus Cristo, praticassem as exigências da Lei, ou seja, obras da Lei. A circuncisão, por exemplo, foi motivo de grandes controvérsias no cristianismo primitivo. Alguns queriam que os neófitos fossem circuncidados, conforme determina a Lei de Moisés, entretanto, outros como Paulo, achavam que não havia a mínima necessidade, já que a “graça” de Deus por meio de Jesus era superior às leis mosaicas.
Assim, ao dizer que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei, está querendo dizer que o homem se torna justo ao aderir ao Evangelho de Jesus, não sendo mais necessário cumprir as “obras da Lei”, ou seja, a legislação mosaica. Deixando bem claro, que não está pregando a fé inoperante como supõem alguns, mas a fé demonstrada pelas ações a favor do próximo. Visto dessa forma não contraria nada do que disse e que já analisamos em itens anteriores.

Romanos 8, 28-30: E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou.
Encontramos a seguinte explicação: “O projeto eterno de Deus é predestinar, chamar, tornar justo e glorificar a cada um e a todos os homens, fazendo com que todos se tornem imagem do seu Filho e reúnam como a grande família de Deus. O projeto não exclui ninguém. Mas o homem é livre: pode aceitar ou recusar tal projeto, pode escolher a vida ou a morte, salvar-se ou condenar-se” (Bíblia Sagrada, Ed. Pastoral, em nota de rodapé).
Veja bem, a questão da predestinação para sermos à imagem de Jesus. O que poderíamos dizer em outras palavras: Pela vontade de Deus todos nós estaremos um dia na mesma evolução que Jesus. Seremos justificados em Jesus, quando aplicarmos, no dia-a-dia, os seus ensinamentos sintetizados no amor incondicional.
Romanos 10, 4- Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê. Ora Moisés descreve a justiça que é pela lei, dizendo: O homem que fizer estas coisas viverá por elas. Mas a justiça que é pela fé diz assim: Não digas em teu coração: Quem subirá ao céu? (isto é, a trazer do alto a Cristo.) ou:
Quem descerá ao abismo? (isto é, a tornar a trazer dentre os mortos a Cristo.).
Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos, a saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido. Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam.

Porque todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo.

Se perdermos de vista o que Paulo disse anteriormente, poderemos concluir que agora ele prega a fé. Mas, ainda aqui, ele trata da questão de Deus não fazer acepção das pessoas, que todo aquele que invocar o nome de Jesus será salvo. Quem crê realmente em Jesus deve praticar o que ele ensinou caso contrário à crença é completamente inútil. Talvez pelo público alvo, Paulo não quis dizer mais a fim de completar o que realmente pensa. Para eles o fato extraordinário de Jesus ter ressuscitado dos mortos, era mais uma certeza que Deus não estava abandonando o seu povo. Jesus iria continuar orientando, como ainda faz, a todas as criaturas para que, na prática do Evangelho, todos possam se salvar. Iremos ver posteriormente a salvação segundo Jesus, para não termos mais dúvidas sobre o que nos salva.
Romanos 13, 8-11: A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei. Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor. E isto digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé.
Veja que agora Paulo está completamente de acordo com os ensinamentos de Jesus. E observe a afirmativa de que o cumprimento da lei é o amor. Amor a todos e de tal forma que não conseguiremos ficar inertes ao vermos um irmão necessitado, imediatamente entraremos em ação e o ajudaremos naquilo que precisa. E se Paulo pregasse que somente a fé é que salva, não teria dito: a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé.
Aceitar a fé é pouco, necessário praticar, pois só assim demonstraremos que amamos o próximo como a nós mesmos.
Efésios 1, 3-4: Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor.
Tornar santo e irrepreensível diante de Cristo em amor é, segundo a máxima que nos deixou, que devemos “amar ao próximo como a nós mesmos”. Ora, quem ama ao próximo lhe presta auxílio todas as vezes que for necessário.
Esse ato de caridade é realizado porque se tem muito amor.
Efésios 2, 8-9: Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.
Chegamos à passagem citada no início, colocada em nossa história. É comum vermos essa citação somente até o versículo nove, sem que coloquem o complemento (v. 10) que é importante para o entendimento da passagem:
Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé”, ou seja, o amor de Deus faz com que sejamos salvos. Na visão Espírita isso é mais claro, pois o amor de Deus nos arrasta a Ele, vamos assim dizer, de tal sorte que a nossa única escolha é se iremos devagar ou se iremos depressa. “Salvos por meio da fé”, é fazermos o que determina Jesus em seu Evangelho de Jesus, principalmente o “amar ao próximo como a nós mesmos”. Isso é um dom de Deus, porque por sua exclusiva vontade Ele quer que sigamos os exemplos de Jesus, que nos enviou para servir de modelo e guia.
Se somos criados em Jesus Cristo é porque é o desejo de Deus que andemos nas boas obras, já que nos predestinou exatamente para isso. Não foram as boas obras que praticou o tempo todo que esteve aqui na Terra encarnado?
Colossenses 3, 12-14: Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade; suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição.
Paulo entendeu muito bem, o ensinamento de Jesus, deixando-o mais claro ainda, aquele em que diz: “Sede vós, pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus”. (Mateus 5, 48). Amor operante. Nada de só crer e achar que com isso está tudo bem.
Colossenses 3, 15-17: E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos. A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao SENHOR com graça em vosso coração. E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.
Colocamos essa passagem para completar o pensamento de Paulo na anterior.
A expressão “para a qual também fostes chamados em um corpo”, estaria implícita a preexistência do espírito? Particularmente pensamos que sim, pois se fomos chamados em um corpo é porque vivemos sem ele. Seria o mesmo que dizer que fomos chamados a viver num corpo.
Deseja Paulo que a palavra de Cristo habite em nós abundantemente, em toda a sabedoria, ou seja, que possamos entender tudo o que ele nos ensinou mostrando isso na prática do dia-a-dia. A plenitude do amor em nós seria a completa aplicação dos ensinamentos de Jesus, seria então o “vínculo da perfeição”.
1 Timóteo 2, 1-4: Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade; porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.

Paulo exorta a Timóteo a praticar boas obras a favor de todos: amor altruísta!

Perguntamos: Se Deus quer que todos os homens se salvem, quem poderá ser contra a vontade de Deus?

Pensamento de Tiago (irmão do Senhor)

Foi Tiago que dirigiu a Igreja de Jerusalém. Sua decisão prevaleceu na primeira divergência entre os cristãos, no chamado Concílio de Jerusalém, ano 49 d.C, sobre a questão da circuncisão. Exercia uma forte liderança, muito maior que a de Pedro tido como o primeiro Papa. As correntes religiosas se divergem quanto ao grau de parentesco de Tiago com Jesus. Os católicos colocam-no como primo, já que o termo irmão, segundo eles, servia para designar também primo. Os protestantes já o têm como meio irmão de Jesus.
Entretanto ao usarem desse mesmo termo para designar alguns dos discípulos que eram irmãos, não dizem que eram primos.
Mateus (13, 44-56), narra: Não é este o filho do carpinteiro? E não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas? E não estão entre nós todas as suas irmãs? De onde lhe veio, pois, tudo isto? Não temos dúvida que eram mesmo irmãos de Jesus, até mesmo porque a cultura da época exigia da mulher muitos filhos, caso contrário não era uma boa esposa.
Se isso estiver correto, é mais uma forte razão, para vermos que o pensamento de Tiago condiz com o de Jesus.
Tiago 1, 22-27: E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos. Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural; porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e logo se esquece de como era. Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito. Se alguém entre vós cuida ser religioso, e não refreia a sua língua, antes engana o seu coração, a religião desse é vã. A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.
Prática das obras ou fé? Não deixa margem para alguma dúvida: “cumpridores da palavra”. Essa colocação de Tiago é muito interessante: “A religião pura e imaculada para com Deus é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo”, ou seja, prática do amor ao próximo pela realização dos atos de caridade.
Tiago 2, 8: Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis.
Este pensamento é igual ao de Paulo, e corresponde ao que Jesus ensinou.
Onde está dito alguma coisa sobre fé?
Tiago 2, 14-17: Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras?
Porventura a fé pode salvá-lo? E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.
Ao terminar dizendo que mostrarei a minha fé pelas minhas obras, Tiago traz o conceito que falamos anteriormente, quando falávamos do pensamento de Paulo de ser uma fé operante. Quem tem fé deve mostrá-la com as obras que realiza. Que adianta ter fé se o irmão ao seu lado passa fome? É o questionamento incontestável de Tiago para os que dizem que apenas a fé é que salva.
Tiago 2, 21-23: Porventura o nosso pai Abraão não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque? Bem vês que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada. E cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus.
Para provar que são as obras é a base para a justificação, Tiago nos dá o exemplo de Abraão. Mostra que a fé é aperfeiçoada pelas obras.
Tiago 2, 26: Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta.
Não há o que contestar a clareza desse pensamento. É tão claro e objetivo, que não entendemos porque as pessoas ainda têm a coragem de dizer que é a fé que salva.

Pensamento de Pedro

Como discípulo de Jesus, inclusive, aceito por alguns como sendo o primeiro Papa, devia conhecer mais profundamente os ensinamentos do Mestre.
1 Pedro 1, 17: E, se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um, andai em temor, durante o tempo da vossa peregrinação.
Encontramos novamente a expressão que o julgamento será “segundo a obra de cada um”, reafirmando o pensamento de todos no cristianismo primitivo. Os homens, infelizmente, deturparam os ensinamentos de Jesus, para sua própria perdição. Também confirma que Deus não faz acepção de pessoas, ou seja, não há privilégios junto a justiça divina.
1 Pedro 3, 8-12: E, finalmente, sede todos de um mesmo sentimento, compassivos, amando os irmãos, entranhavelmente misericordiosos e afáveis.
Não tornando mal por mal, ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo; sabendo que para isto fostes chamados, para que por herança alcanceis a bênção. Porque Quem quer amar a vida, E ver os dias bons.
Refreie a sua língua do mal, E os seus lábios não falem engano. Aparte-se do mal, e faça o bem; Busque a paz, e siga-a. Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos, E os seus ouvidos atentos às suas orações; Mas o rosto do Senhor é contra os que fazem o mal.
Recomendações que já ouvimos, só que com outras palavras, de Paulo e Tiago. Tudo isso também condiz com os ensinamentos de Jesus.
1 Pedro 4, 7-11: Mas, sobretudo, tende ardente amor uns para com os outros; porque o amor cobrirá a multidão de pecados. Sendo hospitaleiros uns para com os outros, sem murmurações, cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá; para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e poder para todo o sempre. Amém.

Agora fica mais clara a questão do amor corresponder ao sentimento de caridade para com o próximo. Fechando: “A caridade cobre uma multidão de pecados”, é por isso que o lema do Espiritismo é: “Fora da caridade não há salvação”.
2 Pedro 1, 2-10: Graça e paz vos sejam multiplicadas, pelo conhecimento de Deus, e de Jesus nosso Senhor; visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude; pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo. E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência, e à ciência a temperança, e à temperança a paciência, e à paciência a piedade, e à piedade o amor fraternal, e ao amor fraternal a caridade. Porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Pois aquele em quem não há estas coisas é cego, nada vendo ao longe, havendo-se esquecido da purificação dos seus antigos pecados. Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis.
Acompanhando o raciocínio de Pedro veremos que ele coloca a caridade entre as coisas importantes que devemos acrescentar à nossa fé. Dizendo, ao final, que quem não possui essas coisas é cego, ou seja, não entendeu nada do ensinamento de Cristo, são, portanto: “ociosos e estéreis no conhecimento de Cristo”. Fechando magistralmente seu pensamento.

Pensamento de João

João o discípulo que Jesus mais amava, conhecia, portanto seus ensinamentos.
1 João 3, 17-18: Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, como estará nele o amor de Deus?
Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade.
Nem precisamos dizer mais nada, tão óbvio que fica a questão do amor expresso em obras.

Pensamento de Jesus

Devemos ter sempre em mente que o discípulo não pode ser superior ao mestre, conforme nos alerta Jesus: Na verdade, na verdade vos digo que não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou. (João 13, 16).
Mateus 7, 21-29: Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade. Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; e desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; e desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda. E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso, a multidão se admirou da sua doutrina; porquanto os ensinava como tendo autoridade; e não como os escribas.
Muitos religiosos ainda dizem que as pessoas estão salvas por pertencerem à determinada Igreja ou por ter fé, ou por crer em Jesus como salvador, etc., entretanto, parecem que fazem vistas grossas a essa passagem da Bíblia.
Quem não praticar os ensinos de Jesus, não receberá recompensa alguma.
Mateus 16, 27: Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras.
Como já prevíamos anteriormente a salvação para Jesus está nas obras, já que cada um será julgado pelas suas obras. E ainda existem pessoas querendo contradizer Jesus, dizendo que é a fé que salva, embora muitos deles, na prática diária, fazem do dízimo o instrumento da salvação.
Mateus 19, 16-23: E eis que, aproximando-se dele um jovem, disse-lhe: Bom Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna? E ele disse-lhe: Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos. Disse-lhe ele: Quais? E Jesus disse:
Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho; honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo. Disse-lhe o jovem: Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda? Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me. E o jovem, ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades. Disse então Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que é difícil entrar um rico no reino dos céus.
Nessa passagem fica nítida a questão da prática da caridade. O jovem rico tinha fé e cumpria todas as outras determinações religiosas, entretanto não se preocupava com os necessitados. Daí Jesus recomendar-lhe vender tudo e doar aos pobres para ter um tesouro no céu. Apegado demais aos bens terrenos o jovem foi-se embora triste.
Mateus 25, 31-46: E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me. Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? Ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? Ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.
Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos; porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes.
Então eles também lhe responderão, dizendo:
Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos? Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim. E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna.
Essa passagem que simboliza o dia do juízo, dia que devemos prestar contas a Deus de tudo o que fizemos. Quem foi para a direita de Deus (bom lugar) foram os de fé ou os que fizeram obras? As obras exemplificadas são: dar de comer aos famintos, vestir os nus, dar água a quem tem sede, hospedar os viajantes, visitar os doentes e os prisioneiros, tudo isso são atos de amor ao próximo.

No simbolismo, a separação dos bons dos maus é pela fé de cada um? Pela religião? Ou pelas obras praticadas a favor do próximo?
Lucas 10, 25-37: E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o, e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? E ele lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês? E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo. E disse-lhe:
Respondeste bem; faze isso, e viverás. Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo? E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. E, ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão; e, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele; e, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe:
Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu te pagarei quando voltar. Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira.
Essa parábola do Bom Samaritano é por demais conhecida de todos. Somente por ela já poderíamos saber o que nos salva. O sacerdote representa todos os líderes religiosos preocupados consigo mesmo sem nenhum sentimento de amor ao próximo. No levita poderemos identificar todas as pessoas ligadas a uma determinada religião, que apesar de possuírem alguém que os ensine o que fazer, não fazem absolutamente nada a favor do próximo. São ambos, sacerdote e levita egoístas como muitos crentes nos dias de hoje.
O samaritano era considerado herege, pelos religiosos que passaram a passos largos diante do homem caído à beira da estrada, entretanto é o exemplo dele que Jesus recomenda seguir. Foi justamente este bondoso samaritano que, com obras, provou que tinha mais fé que os outros dois. Ele deveria ser um ponto de referência para determinadas pessoas que vivem a criticar a crença dos outros. Fiquem certos, de uma vez por todas, que para Deus somente será justificado quem praticar a lei de amor, lembre-se “A Deus ninguém engana”.

Conclusão

Muitas pessoas insistem em pegar frases soltas da Bíblia para tentarem justificar seus pensamentos. Ora, não há como afastar a frase do seu contexto imediato, e de todo o conjunto da Bíblia.
Aos que querem isolar passagens, em Deuteronômio 28, 30, temos uma para exemplo:
Desposar-te-ás com uma mulher, porém outro homem dormirá com ela; edificarás uma casa, porém não morarás nela; plantarás uma vinha, porém não aproveitarás o seu fruto.
Veja que ela fora do contexto é uma coisa absurda que Deus se propõe a fazer. Entretanto, dentro do contexto é apenas uma ameaça que Deus está fazendo, vejamos no versículo 15 o início da narrativa:
Será, porém, que, se não deres ouvidos à voz do SENHOR teu Deus, para não cuidares em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos, que hoje te ordeno, então virão sobre ti todas estas maldições, e te alcançarão:

O que vemos então? É pura e simplesmente “Deus” dizendo ao povo hebreu que se não guardasse os seus mandamentos Ele iria aplicar várias maldições, entre elas a do versículo 30 que escolhemos para exemplo.
Essa narrativa, diga-se de passagem, está confirmando que não existe inferno, pois se ele fosse real como querem alguns, “Deus” teria dito: “se não cumprirem meus mandamentos irão para o fogo do inferno”. Até mesmo porque: Assim, também, não é vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca. (Mateus 18, 14). Se é vontade de Deus que ninguém se perca ninguém se perderá e pronto.
E, finalizando, colocaremos essa frase de Jesus: Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras. Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras. Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai. (João 14, 10-12).
Veja bem, as obras que Jesus faz não vem dele, mas do Pai, e ele afirma que podemos fazer essas mesmas obras e até maiores, nos dá a certeza que as obras que fazemos serão para cumprir a vontade de Deus. Mas quais são as obras de Jesus? No tempo que passou junto de nós, curou enfermos, deu vista a cegos, curou paralíticos, libertou pessoas de espíritos maus, enfim somente obras de amor, o amor operante de que já falamos por várias vezes.


Paulo da Silva Neto Sobrinho

(Artigo Reproduzido de O Portal do Espírito com a autorização do autor)

terça-feira, 12 de março de 2013

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Um Mundo Novo, Humanizado



Um Mundo Novo, Humanizado

Antes de pretender ganhar os céus, o homem precisa compreender o seu papel na Terra diante do seu semelhante e em relação a si mesmo. Antes de espiritualizar-se propriamente, precisa humanizar-se, tornar-se mais humano.
Tem-se falado muito no processo de regeneração da humanidade que, segundo instruções dos Espíritos a Allan Kardec, já teria se iniciado. Entre os espíritas criou-se um clima generalizado de expectativa (meio místico) no que se refere aos “tempos chegados”, como se esse período de renovação tivesse data para acontecer.
Toda a longa trajetória evolutiva do homem até chegar à sua atual concepção físico-psíquica não foi suficiente para transformá-lo significativamente, a ponto de não se poder mais compará-lo, em nenhuma de suas ações, aos seus antepassados primitivos.
Claro que há grande distância separando o homem de hoje do que ele foi há remotas eras. Mas o atavismo do longínquo passado traz ainda à tona, em várias circunstâncias, muito da sua natureza bruta, que se pode observar em surpreendentes atos de agressividade, violência e inconsequência. E, infelizmente, esse não é um fenômeno isolado, pois ocorre ainda em muitas partes do planeta.
O Espírito Lázaro fala dessa situação em “O Evangelho segundo o Espiritismo” quando afirma estar o homem “mais próximo do ponto de partida que do alvo”, (1) quando dominado pelos instintos.
Por outro lado, basta olhar a civilização moderna para constatar que o homem evoluiu bastante, transformou o mundo, viajou no espaço, desenvolveu a inteligência a níveis espantosos. Fez progredir também seus hábitos e costumes sociais polindo-os e dando-lhes uma feição que os distancia da barbárie. Entretanto, seus avanços no campo ético-moral foram bem mais discretos, confirmando as explicações dadas pelos Espíritos da codificação de que o progresso moral não acompanha, no mesmo ritmo, o avanço da inteligência (2). É essa discrepância a causa do desequilíbrio que se constata atualmente no mundo. “Resta-lhes (aos homens) ainda um imenso progresso a realizar: é o de fazer reinar entre eles a caridade, a fraternidade e a solidariedade, para assegurar o bem-estar moral” (3).
Segundo os mesmos Espíritos, um projeto de renovação moral está em andamento na Terra, envolvendo expurgo, exílio para mundos primitivos daqueles que “praticam o mal pelo mal, e que o sentimento do bem não atinge” (...); “irão expiar seu endurecimento, uns nos mundos inferiores, outros em raças terrestres atrasadas, que serão o equivalente a mundos inferiores” (...) (4).
Considerando-se que Deus é justo e seus mecanismos de justiça sabem ler o que se passa em cada consciência; considerando-se que os seres efetivamente maus (grifo meu) são uma minoria audaciosa, conforme sugere a questão 932 de “O Livro dos Espíritos”, e estes deverão abandonar a Terra; considerando-se ainda que o número de Espíritos infantis, ingênuos, indolentes, indiferentes, mas sem maldade (as “almas frágeis” de que fala Herculano Pires no livro “O centro espírita”) são boa parte de nossa humanidade e talvez devam ficar por aqui, conclui-se que estes últimos (os “sem maldade”), juntamente com uma ínfima parcela de Espíritos terrestres mais adiantados, participarão do processo de humanização do planeta.
A tarefa de reequilibrar a vida planetária caberá, então, à maioria dos Espíritos que pertencem à terceira ordem da escala espírita (Espíritos imperfeitos), somada à pequena porção que já adentra à segunda ordem (Espíritos bons), e ainda àqueles que, vindos de mundos mais avançados, reencarnarão em substituição gradual aos exilados. Sem os Espíritos radicais do mal, começará a se desenhar aqui um novo tempo, cujos signos serão o respeito entre os homens e a implantação da vida pacífica, conforme muito bem esclarece todo o capítulo XVIII de “A Gênese”.
Compreende-se, assim, que apesar de ter-se iniciado há mais de um século, a renovação não se dará de uma hora para outra, e que os homens terão muito trabalho pela frente. Porém, com a paulatina mudança de ares, o ambiente da Terra será mais propício à transformação. É aí que “o Espiritismo, mais que qualquer outra doutrina, está apto a secundar o movimento regenerador” (5).
O que o bom senso pede é que continuemos lutando sem desânimo, individual e coletivamente, pelo estabelecimento desse novo estágio entre nós, mas sem as expectativas angustiosas quanto ao tempo, pois “como a natureza não dá saltos” e milagres não existem, os que ficarem precisarão construir esse mundo novo, e essa tarefa levará tempo. Ainda em “A Gênese”, no mesmo texto de Allan Kardec podemos ler: “No dizer dos Espíritos (...) tudo se passará exteriormente como de costume, com esta única diferença, porém diferença capital, que uma parte dos Espíritos que aí se encarnam não mais se encarnará”.


               Claudio Bueno da Silva

Notas:

(1) “A lei de amor”, capítulo XI.

(2) “O Livro dos Espíritos”, questão 780.

(3 e 5) “Sinais dos tempos”, capítulo XVIII de “A Gênese”, Allan Kardec, Ed. LAKE.

(4) “A nova geração”, capítulo XVIII de “A Gênese”, Allan Kardec, Ed. LAKE.